sexta-feira, setembro 30, 2016

O Comportamento na Igreja

Cristãos, irmãos e irmãs !

A Igreja é o único lugar na terra onde nós podemos nos esconder das intempéries e tempestades da vida, bem como da sujeira moral. A Igreja é um protótipo do céu na terra; na Igreja os "seres celestes invisivelmente celebram a Missa junto conosco." Pois, lembrem-se: a Igreja é a Casa de Deus, onde Deus mora, invisivelmente para nós, e portanto o nosso comportamento na Igreja deve corresponder à sua santidade e majestade.

  • Entra na Igreja com a alegria espiritual. Lembra-te de que o Próprio Salvador prometeu te consolar na tristeza: "Vinde a Mim, todos vós que estais cansados e oprimidos e Eu vós aliviarei" (Mt. 11:28).
  • Entra na Igreja com humildade e mansidão para sair de lá como o humilde coletor de impostos, do Evangelho.
  • Ao entrar na Igreja e olhando para os Santos Ícones, lembra-te de que o Próprio Senhor Jesus Cristo e todos os Seus Santos estão te olhando. Tenha cuidado para não fazer, falar ou pensar algo indigno e tema ao Senhor.
  • Ao entrar na Igreja nos dias da semana, ajoelha-te 3 vezes, tocando com a cabeça o chão, e nos domingos e feriados, curva-te 3 vezes, tocando com a mão direita o chão, rezando: "Senhor, lavai-me pecador e tenha piedade de mim", "Senhor, perdoai-me pecador", "Santíssima Mãe de Deus, rogai por mim pecador", "Todos os Santos, roguem por mim pecador".
  • Ao passar pela Igreja até o seu lugar de costume, vá com calma, silencio e humildade. Ao passar em frente do Portão Real, pare um pouco e faça o sinal da cruz.
  • Sempre venha para o começo da missa. Se, por acaso, por alguma razão muito séria, atrases, tenha cuidado para não atrapalhar a oração dos outros. Se entrar na Igreja durante a leitura do Evangelho, durante a leitura dos 6 salmos ou durante o cânon eucarístico na liturgia, quando se opera a trans- substanciação - pare na entrada e somente após o término destas importantíssimas partes da Missa prossiga para o teu lugar.
  • Se na Igreja encontras conhecidos, mesmo muito queridos amigos ou parentes, saudá-los somente inclinando a cabeça, sem palavras e sem estender a mão, e não pergunte nada. Seja verdadeiramente humilde na Igreja.
  • Na Igreja se deve ficar em pé e não sentado; somente no caso de uma indisposição, uma doença ou uma grande fadiga é permitido sentar para descansar. Na Igreja não sejas curioso, não olhes pelos lados e reza com sinceridade; aprofunda-te na Missa e no seu conteúdo.
  • Quando trazer para Igreja crianças, tome conta delas para que elas sejam bem comportadas e quietas. Acostuma-as a compreender o comportamento na Igreja; acostuma-as a rezar. Se a criança quer sair, fala para ela fazer o sinal da cruz e sair silenciosamente, ou saia junto com ela.
  • Se uma criança começar a chorar na Igreja, imediatamente saia com ela.
  • Nunca permita a criança a comer na Igreja, a não ser o pão bento distribuído pelo padre.
  • Na Igreja reza como participando da Missa e não como alguém que simplesmente está presente, para que todas as orações saíssem diretamente do teu coração. Seja atento à Santa Missa, para rezar junto com toda a Igreja exatamente pelas mesmas coisas. Faça o sinal a cruz e inclina-te junto com todos os sacerdotes, diáconos e todos os que rezam junto com você. Nos dias da semana, ajoelha-te tocando com a cabeça o chão, nos domingos e feriados curva-te tocando o chão com a mão direita: nestes dias não há ajoelhamento.
  • Na Igreja não condene ninguém e nem ridicularize os erros e faltas involuntários dos outros; é melhor perceber os próprios erros e faltas e pedir a Deus que os perdoe.
  • Antes de ir na Igreja, ainda em casa, prepara o dinheiro para a compra das velas, do pão bento e para a coleta.. Não é bom trocar o dinheiro lá - isto atrapalha a oração dos outros.
  • Nunca saia da Igreja antes do fim da Missa, porque isto é uma grave falta de respeito à santidade da Igreja e pecado perante Deus. Se você por alguma razão sair antes do fim da Missa, confessa-o ao padre.
  • Aproxima-te com cuidado e humildade à Comunhão, cruzando os braços no peito: comunga com amor e fé, beija o Cálice sem fazer a cruz para por acaso não empurrá-Lo e volta com cuidado ao seu lugar. Não saia da Igreja sem ouvir a oração de agradecimento ao Senhor após a comunhão.
  • Conforme a nossa velha tradição, os homens devem ficar do lado direito da Igreja e as mulheres - do lado esquerdo. Não se deve obstruir a entrada da porta principal.
  • As mulheres devem entrar na Igreja vestidas discretamente e com a cabeça coberta. Não é permitido comungar e beijar os Ícones com lábios pintados.

Como se Preparar para a Comunhão

É imprescindível se preparar como segue: oração, jejum, ser humilde como deve ser o verdadeiro cristão e confessar.

Oração em Casa e na Igreja

A pessoa que quer comungar deve se preparar com orações, no mínimo uma semana antes: rezar mais em casa pela manhã e à noite se for possível, durante esta semana ir diariamente na Igreja para assistir as Missas de manhã e à tarde. Se o trabalho ou emprego não permitem isso, então ir à Igreja de acordo com as possibilidades, mas obrigatoriamente na véspera da comunhão.

Jejum

À oração se junta o jejum, isto é, a abstinência da comida que provem de animais (carne, leite, ovos, manteiga, queijo etc.). Também, deve se comer moderadamente - menos do que de costume.

Animo e Comportamento

A pessoa que está se preparando para a Comunhão, deve se lembrar de todos os seus pecados, de sua insignificância perante Deus e sua nulidade; a pessoa deve se reconciliar com todos, se abster dos sentimentos de raiva e irritação, não deve censurar ninguém, deve evitar pensamentos e conversas vãs, não deve visitar lugares e casa de divertimento, que podem resultar em algum pecado. A pessoa deve meditar sobre a grandeza do Corpo e do Sangue do Senhor e passar o tempo, dentro do possível, em retiro, lendo Evangelho e livros de conteúdo religioso.

Confissão

É sempre melhor confessar na véspera - antes ou depois do Vesperal. A pessoa deve se arrepender com sinceridade, perante o sacerdote, de todos os seus pecados, abrir com toda a sua franqueza a alma e não esconder nenhum pecado. Antes da confissão, a pessoa deve se obrigatoriamente reconciliar com todos os ofensores e ofendidos e com humildade pedir perdão a todos. Geralmente se pede o perdão com as seguintes palavras: "Me perdoa por tudo, em que pequei contra ti" e recebe a resposta: "Deus perdoa, perdoa-me também." Durante a confissão é melhor não esperar pelas perguntas do sacerdote, mas ir contando tudo, o que pesa na alma, sem se justificar e sem incriminar a ninguém.

O mais certo é confessar na véspera à tarde para deixar a parte da manhã do dia da comunhão para orações. No último caso, é possível confessar de manhã no dia da comunhão, mas antes do começo da Missa, e nunca durante a Liturgia. É uma grave falta de respeito chegar para a confissão após o começo da Missa.

Após a confissão é necessário ter uma firme determinação de não repetir mais os pecados. Ninguém pode comungar sem confissão, a não ser no caso de perigo da morte. Há um bom costume: após a confissão e até a Comunhão não comer mais nada e não fumar. É proibido comer e fumar após a meia-noite. As crianças devem ser acostumadas à abstinência desde cedo.

Antes e Durante a Comunhão

Ainda antes da abertura do portão real, e melhor ainda logo após o Pai nosso, a pessoa deve ser aproximar aos degraus do altar e esperar até o sacerdote sair do altar com o cálice, dizendo: "Com temor a Deus e com fé, aproximai-vós." Aqui, devemos deixar passar primeiro as crianças, que comungam antes dos adultos. Antes de se aproximar ao Cálice, ainda à uma certa distância, devemos ajoelhar-nos, tocando o chão com a cabeça. Nos domingos e nos feriados, curvamo-nos, tocando o chão com a mão direita. Nunca devemos fazer sinal de cruz diante do Cálice, para não empurrá-lo. Devemos pronunciar o nosso nome cristão de forma inteligível, abrir bem a boca e com temor e alegria espiritual, dando-se conta da santidade deste grande Mistério, tomar o Corpo e oSangue do Nosso Senhor Jesus Cristo, e logo engoli-lo.

Após a Comunhão

Após ter recebido a Comunhão, sem fazer o sinal da cruz, devemos beijar a parte inferior do Cálice e logo se afastar até a mesinha para tomar a já preparada água com vinho e comer um pedacinho do pão bento (antidoro). Não devemos sair da Igreja antes do fim de Missa e após a Missa devemos obrigatoriamente ouvir as orações de gratidão.

No dia da Comunhão não devemos cuspir, não devemos comer em demasia, não devemos tomar bebidas alcoólicas e devemos nos comportar com dignidade, para "com a devida honra manter e respeitar o Cristo que recebemos." Tudo isso é obrigatório também para as crianças a partir de 7 anos, quando as crianças vêm pela primeira vez confessar.

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terça-feira, setembro 06, 2016

Última celebração comemorativa dos 30 Anos de Igreja


No último domingo(04), encerrou-se o ciclo de celebrações em comemoração aos 30 anos do Início da Missão Ortodoxa do Brasil, no estado da Paraíba. O clero e fiéis das jurisdições canônicas sérvia  e polonesa se reuniram desta vez na Paróquia Ortodoxa de Santa Catarina, a Grande em Conde-PB. A Paróquia acolheu a todos com muita alegria e o encontro se deu em meio a um espírito fraterno selando um novo tempo para a Ortodoxia do Nordeste e todo o Brasil.



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domingo, agosto 14, 2016

30 Anos de Missão Ortodoxa do Brasil


No último domingo (14), a Catedral Ortodoxa da Teofania da Santíssima Trindade acolheu fiéis e clérigos ortodoxos, bem como amigos heterodoxos, para celebrar os 30 anos de fundação da Missão Ortodoxa do Brasil, hoje continuada em duas jurisdições canônicas: Igreja Polonesa e Igreja Sérvia. O encontro reuniu gerações diversas da Igreja, desde membros do primeiro grupo que foi a Portugal e trouxeram a Fé Ortodoxa em língua portuguesa para nosso país, até as crianças e neófitos desta geração. A celebração presidida por Sua Excelência Reverendíssima Dom Ambrósio, bispo ortodoxo de Olinda-Recife, foi concelebrada pelos Reverendíssimos Padres Arquimandrita Jerônimo (Mosteiro Ortodoxo de São Nicolau / Conde-PB), Arcipreste Aléxis (Paróquia da Dormição / Boa Vista / Recife-PE), Hieromonge Pedro (Mosteiro Ortodoxo da Santíssima Trindade / Aldeia-PE), Presbítero Emiliano (Paróquia Ortodoxa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo / Guarabira-PB) e também o Diácono George (Catedral Ortodoxa da Teofania da Santíssima Trindade / Recife-PE), além do Arcipreste Elias que também estava presente.

A celebração continuará numa sequência de Liturgias afim de que todos possam celebrar juntos nas demais Igreja. Participe conosco! Segue a programação:

Dia 21 de Agosto - Mosteiro Ortodoxo da Santíssima Trindade (Aldeia-PE)
Dia 28 de Agosto - Paróquia Ortodoxa da Dormição (Boa Vista / Recife-PE)
Dia 04 de Setembro - Mosteiro Ortodoxo de São Nicolau (Pousada / Conde-PB)

FOTOS: João Robson








































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domingo, julho 24, 2016

Dom Adão, de memória eterna

Comunicado da Diocese de Wrocławsko-Szczecińskiej (POLÔNIA)



Ks. Julian Felenczak
24 de Julho 2016 

Morreu Sua Excelência Arcebispo Adão



No dia 24 de julho próximo passado, à tarde, faleceu o Arcebispo Adão Ordinário da Diocese de Przemysko-Nowosądecka.

O Arcebispo Adam (Dubec), de memória eterna, nasceu na vila de Florynka em 1926. Passou por espinhosos caminhos na vida, já desde a infância, testemunha ocular de guerras, o trágico reassentamento em 1947 e a vida em país estrangeiro. O sacerdócio na vida do Arcebispo Adão tornou-se um dedicado serviço à Igreja Ortodoxa e a seu país. Vários sucessos podem ser citados, mas um dos mais importantes acontecimentos da diocese dirigida pelo Arcebispo vale considerar a canonização do sacerdote e mártir S. Máximo de Gorlice (Sandowicz), que depois de longos anos de esforços ocorreu em 5-6 de abril de 1994 em Żdyni e Gorlice, 80 anos após a morte pelo martírio do santo. Com enorme sucesso e com condições graças à existência da Diocese foram construídas várias igrejas e assim como casas paroquiais. Grande acontecimento também foi o „прославлення” (*acredito ser o retorno) do ícone milagroso da Mãe de Deus de Sanok, que ocorreu na catedral em Sanok no dia 07.09.1997. Neste ícone miraculoso e famoso da Mãe de Deus de Sanok, muitas pessoas encontraram e encontram consolo e alívio, assim como o acolhimento de suas orações. Sob a direção do Arcebispo Adão, solenemente, celebramos em todas as paróquias da nossa Diocese o grande Jubileu de 1000 anos do batismo de Rússia-Kiev assim como os 2000 anos de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com edição bem-sucedida organizada por D. Adão, foi novamente editado o Calendário Litúrgico em idioma ucraniano. O coroamento dos 30 anos de renascimento da Diocese foi o retorno à Ortodoxia de Rzeszowa. Uma Igreja Ortodoxa em Rzeszowa foi sagrada no dia 7 de abril de 2013. O fundador e construtor desta igreja foi Sua Excelência Arcebispo Adão.

A solenidade do seu funeral será realizada no dia 27.07.2016 em Sanok às 9:00 h. O oficiante será Sua Eminência Beatitude Sawa, Metropolita de Varsóvia e toda a Polônia.

Memória eterna, abençoado Arcebispo!

Padre Julian Felenczak 
24 de julho de 2016



Tradução: Arquimandrita Jerônimo
*N.T. a palavra está em russo. Acredito que significa retorno ou reentronização.


Fotojornalismo: Pe. Miroslaw Lewczak, Nicholas Grycz


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sábado, julho 09, 2016

Documentos do Santo e Grande Concílio Pan-Ortodoxo



Amados irmão, o site ECCLESIA tem disponibilizado a tradução dos documentos do Grande e Santo Concílio Pan-Ortodoxo, que aconteceu no período de 19 a 26 de Junho na cidade de Creta na Grécia. Muitos estão buscando estes textos e não os encontram. Por tanto, estamos disponibilizando os links para os documentos em formato PDF. A tradução é do Rvmo. Pe. André Sperandio, da Sacra-Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul - Patriarcado Ecumênico. Desde já agradecemos ao Padre André, bem como ao site ECCLESIA por nos conceder estes veneráveis textos.



"A Importância do Jejum e a sua observância hoje"

"As relações da Igreja Ortodoxa com o conjunto do mundo cristão"

"A Autonomia e a maneira de proclamá-la"

"A Diáspora Ortodoxa"

"O Sacramento do Matrimônio e seus impedimentos"
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segunda-feira, junho 20, 2016

Um Novo Subdiácono no Domingo de Pentecostes



Neste último domingo (19), os cristãos ortodoxos de todo o mundo celebraram Pentecostes, chamado de Domingo da descida do Espírito Santo ou Domingo da Trindade. Neste mesmo dia se deu a abertura do Santo e Grande Sínodo dos Primazes Ortodoxos, também nomeado Pan-Ortodoxo. Nós, da Eparquia Ortodoxa do Rio de Janeiro e Olinda-Recife, festejamos o Jubileu de 30 anos de Igreja no Brasil. Para maior felicidade, o Leitor Adriano (missionário que auxilia o trabalho pastoral nas missões da Paraíba) foi elevado ao subdiaconato durante a Liturgia presidida por S. Exa. Rvma. Dom Ambrósio na Missão Ortodoxa da Apresentação da Santíssima Theotókos, localizada na Aldeia Indígena Silva de Belém em Rio Tinto-PB. O Rvmo. Arquimandrita Jerônimo, o Rvmo. Presbítero Emiliano e o Rvmo. Diácono George assistiram o bispo, junto ao novo subdiácono e os acólitos Camilo e o pequeno José.

Felicitamos o Rv. Subdiácono Adriano por este passo importante e de grande valor na vida da Igreja, agradecemos seus esforços e serviço missionário. Deus o salve!

FOTOS: João Robson
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quarta-feira, junho 08, 2016

Sobre o Pai Espiritual e a Paternidade Espiritual

Metropolita Anthony Bloom


O tema do meu exposto é a espiritualidade ou a paternidade espiritual, ou ainda, se preferirdes, “nutrir espiritualmente”, ou então “cuidar das almas”.

Eu gostaria, primeiramente, definir a palavra “espiritualidade”, porque habitualmente quando falamos de espiritualidade falamos de certas expressões de nossa vida espiritual, tal como a oração, a ascese; e isto está claro em certos livros como, por exemplo, aqueles de Teófano o Recluso. Todavia, tonar-se necessário, ao que me parece, relembrar que a espiritualidade consiste na realização da ação do Espírito Santo em nós. A espiritualidade não é o que designamos habitualmente por esta palavra, mas antes a manifestação da ação misteriosa do Espírito Santo.

E isto nos coloca imediatamente numa posição muito nítida em relação à paternidade espiritual, pois não se trata mais de formar uma pessoa seguindo certos princípios e de lhe ensinar a se desenvolver na oração ou na ascese segundo alguns esteriótipos. A paternidade espiritual consistiria então, para o pai espiritual, qualquer que seja o seu nível próprio de espiritualidade, vigiar com um olho vigilante o que faz o Espírito Santo com e em tal pessoa; ele estimulará Sua ação, a protegerá contra as tentações ou as quedas contra as hesitações de incredulidade. Em consequência, a função do Pai Espiritual pode parecer, de uma parte, mais considerável do que pensamos geralmente.

Antes de ir mais adiante, gostaria de dizer duas palavras acerca do fato de só haver um único conceito da paternidade espiritual. Existem, ao que me parece, três tipos de Pais Espirituais.

No nível fundamental, é um Presbítero a quem é dado a graça do sacerdócio e que traz nele não somente o direito mas a força plena da graça de celebrar os Sacramentos – o Sacramento da Eucaristia, o Sacramento do Batismo, o Sacramento da Unção dos Doentes, assim como o Sacramento da Confissão, quer dizer da reconciliação do homem com Deus. O grande perigo que pode vir a tomar o jovem Padre inexperimentado, cheio de entusiasmo e de esperança, reside no fato de que, as jovens gentes, recém saídas das Escolas de Teologia imaginam que a ordenação os dotou de conhecimentos e de inteligência, e de experiência e da capacidade de “discernir os espíritos”. Eles tornam-se então semelhantes àqueles que denominávamos na literatura ascética, dos neo-startsy, o que quer dizer que, não possuindo ainda nem maturidade espiritual, nem mesmo o conhecimento que traz tão simplesmente uma experiência pessoal, pensam ter-lhes sido ensinado a tomar um pecador arrependido pela mão e o elevar da terra ao céu.

Infelizmente, isto se produz muito geralmente, e em todos os países: o jovem Padre, em virtude de seu sacerdócio, e não porque tem uma experiência espiritual, nem porque Deus ai o conduziu, se põe a dirigir seus filhos espirituais à grand renfort d’oukases: não faça isso, não faça isto; não leia este gênero de literatura; vá à Igreja; faça metanóias... E, no fim das contas, obtemos uma forma de caricatura da vida espiritual nestas “vítimas”, que fazem tudo o que faziam os ascetas, talvez, mas eles o faziam por experiência espiritual e não porque são animais domesticados. Quanto ao Padre, é uma catástrofe, porque penetra num domínio em que não tem nem o direito, nem a experiência de invadir. Eu insisto nisso, porque é uma questão essencial para o clero.

Só podemos ser Starets (Ancião) pela graça de Deus: é um fenômeno carismático, é um dom; e não podemos aprender a ser um Starets, tal como não podemos escolher a via de qualquer talento. Podemos todos sonhar em ser gênios, mas todavia compreendemos perfeitamente que Beethoven ou Mozart, Leonardo da Vinci ou Roublev possuíam um talento tal que não podemos adquiri-lo em escola alguma nem mesmo por uma longa experiência, mas que é um dom divino da graça.

Eu insisto acerca disto, sem dúvida um pouco mais de tempo, mas me parece que é um tema essencial, e na Rússia talvez até mais do que no Ocidente, pois o papel do Padre aí é mais central. E geralmente os jovens Padres – jovens em idade ou em maturidade, ou imaturidade – “governam” seus filhos espirituais no lugar de os fazer crescer.

Os fazer crescer, significa estar com eles, conduzir-se com eles tal como o jardineiro o faz com as flores ou as plantas. Ele se importa em conhecer a natureza da planta, as condições climáticas ou outras, nas quais ela vive, e somente então podemos ajudar – e é tudo o que podemos fazer – ajudar esta planta a se desenvolver da maneira que é própria à sua natureza particular. Não saberíamos quebrar uma pessoa para torná-la semelhante a si. Certo escritor religioso ocidental disse: “Só podemos levar um filho espiritual a ele próprio, e o caminho que conduz ao interior de sua própria vida pode por vezes ser muito longo...” Nas Vidas dos Santos, podemos ver o quanto os grandes Startsysabiam fazê-lo, como sabiam ser eles próprios e ao mesmo tempo ver claramente no outro sua natureza excepcional, única, e dar à esta pessoa, à uma outra, à uma terceira, a possibilidade de ser também elas próprias e não réplicas deste Starets ou, pior ainda, seu duplo esteriótipo.

O encontro de Antônio e Teodósio das Grutas de Kiev é um exemplo na história da Igreja russa. Teodósio fora o discípulo de Antônio e, todavia, suas vidas não têm nada de comum, se considerarmos que Antônio era um eremita e Teodósio o fundador da vida cenobítica. Poderíamos perguntar de que maneira pôde Antônio prepará-lo a fazer o quê ele próprio não havia feito, e a fazer um homem tal como ele próprio não quisera ser e ao que Deus não lhe havia chamado.

Parece-me que lá, é necessário fazer muito claramente a diferença entre o nosso desejo de tornar uma pessoa semelhante a si e o desejo de torná-la semelhante a Cristo.

O Startsestvo, como eu já disse, é um dom cheio de graça, é o talento espiritual, e eis porque ninguém dentre nós pode sonhar em se conduzir como Starets. Todavia, existe ainda um domínio intermediário, é a paternidade. E de novo repito: o Padre jovem demais – e menos jovem – pelo fato de o chamarmos “Padre fulano”, se imagina não simplesmente um Padre Confessor, mas em verdade “um pai” no sentido em que o ouvíamos o Apóstolo Paulo dizer: “Vós tendes muitos pedagogos, mas sou eu quem vos engendrei em Cristo”; e em seu tempo, São Serafim de Sarov dizia a mesma coisa. É pai – e não obrigatoriamente um Padre – aquele que fez nascer à vida espiritual uma outra pessoa, quando esta, ao depositar seu olhar nele, viu – como diz o antigo ditado – em seus olhos e em seu rosto, o esplendor da vida eterna, e em virtude disso, pôde aproximar-se mais dele e pedir-lhe para ser seu mestre e seu guia.

O que distingue igualmente um pai, é o fato dele ser de alguma maneira do mesmo sangue que o discípulo, que na vida espiritual, eles partilhem o mesmo espírito. Pode ele assim guiá-lo pois entre eles existe uma verdadeira harmonia, não somente de espírito, mas também de alma.

Vós que vos recordais certamente que em seu tempo o deserto do Egito era super povoado por ascetas e guias espirituais, e portanto as gentes não escolhiam para si próprias um mestre segundo o seu renome, não iam àquele que diziam ser o melhor, mas antes encontravam para si o guia que compreendiam e que os compreendia.

E isso é muito importante, pois a obediência não é cumprir cegamente tudo o que dirá aquele que tem sobre ti um poder, que ele seja econômico ou físico, moral ou espiritual; para o discípulo que, tendo escolhido para si um guia espiritual em quem ele tem uma confiança absoluta e em quem ele vê o que ele-próprio procura, a obediência consiste em estar atento não somente à cada uma das palavras de seu pai, mas como também ao tom de sua voz; testemunha de todos os fatos e gestos de seu guia, e de todas as manifestações de sua experiência espiritual, ele se esforça em ultrapassar a si-próprio, de se iniciar à esta experiência a fim de tornar-se aquele que já cresceu para lá da medida que havia atingido pelos seus próprios esforços. A obediência é antes de tudo o desejo de escutar e de ouvir não somente com a sua inteligência, não somente com seus ouvidos, mas de todo o seu ser, coração aberto, com uma contemplação recolhida do mistério espiritual do outro.

E do lado do Pai Espiritual que vos pôs no mundo ou que já vos recebeu concebido, mas que pode ser todavia um pai para vós, ele deve ter uma profunda veneração pela ação do Espírito Santo em vós. O Pai Espiritual, como em suma, todo Padre de paróquia consciente, deve ser/estar em estado de ver em uma pessoa a beleza da imagem de Deus, aquela que jamais fora tirada (e este estado se adquire por vezes ao preço de esforços, de uma profunda reflexão, de uma atitude respeitosa para com aquele que vem a ele). Mesmo se o homem está corrompido pelo pecado, o Pai Espiritual deve ver nele um ícone, sofrido pelas circunstâncias da vida, da negligência humana ou de sacrilégios; ver nele este ícone e se recolher diante do que resta e, em virtude desta beleza divina que está nele, trabalhar em afastar tudo o que desfigura esta imagem de Deus. O Padre Eugraph Kovalevsky, ainda enquanto leigo, me disse, certa vez: “Quando Deus olha o homem, Ele não vê nele nem as virtudes que ele talvez não tenha, nem o sucesso que ele não tem, mas Ele vê a imutável e resplandecente beleza de Sua Própria Imagem...” E então, se o Pai Espiritual não é capaz de ver em uma pessoa esta eterna beleza, de ver nela as primícias da realização de sua vocação de Cristo, então ele não pode guiá-lo; pois não construímos um homem, não o fabricamos, mas o ajudamos a crescer à medida da vocação que lhe é própria.

E lá, a palavra “obediência” pede talvez algumas precisões. Habitualmente, falamos de obediência como de uma submissão, de uma dependência e por vezes mesmo de uma sujeição ao guia espiritual ou aquele a quem havemos dado – de maneira torta e ao detrimento não somente de si mesmo mas também do Padre – o nome de Pai Espiritual ou de Starets. A obediência consiste precisamente no que eu disse acima: estar à escuta de todas as forças de sua alma. Todavia, isto compromete em igual medida o Pai Espiritual e o discípulo; pois o Pai Espiritual deve mobilizar toda sua experiência, todo o seu ser, toda a sua oração e, eu diria mesmo ainda mais, toda ação nele da graça do Espírito Santíssimo, a fim de perceber o que o Espírito Santo realiza naquele que se confiou a ele. Ele deve saber espiar nesta pessoa as vias do Espírito Santo, ele deve se recolher diante do que Deus realiza e não procurar estudá-lo seja de acordo com o seu próprio modelo, seja como lhe parece que o outro deveria desenvolver, enquanto “vítima” de sua direção espiritual.

E dos dois lados é-se pedido humildade. Nós esperamos a humildade da parte do discípulo ou do filho espiritual; mas quanto não é necessário a um Padre, um Pai Espiritual, para jamais invadir o domínio santo, para tratar a alma do outro tal como Deus ordena a Moisés de tratar o solo que rodeava a Sarça Ardente. E todo homem se encontra já como sendo esta sarça – em poder ou em realidade; tudo o que o cerca, é este solo santo sobre o qual o Pai Espiritual só pode pôr o pé depois de ter tirado suas alparcas, e de outra maneira fazer como o Publicano que, permanecendo na entrada do Templo, observava ao interior e sabia que era lá o domínio do Deus Vivo, um lugar santo, e que Ele só tem o direito de nele penetrar se Deus Ele-Próprio o ordena ou se Deus Ele-Próprio lhe assopra o que fazer ou que palavra pronunciar.

Uma das tarefas do Pai Espiritual é a de educar seu filho na liberdade espiritual dos filhos de Deus e não mais o manter em um estado de infantilismo toda a sua vida, a fim de que não lhe acorra, sem cessar, por motivos banais, por nada e em vão, mas para que ele cresça a uma medida tal que seja capaz de aprender ele mesmo a ouvir as palavras indizíveis que o Espírito Santo pronuncia em seu coração.

Se refletirmos acerca do sentido da palavra “humildade”, podemos encontrar duas curtas definições. Primeiramente, em russo smirenie (em russo s mir significa com paz) é o estado de reconciliação, quando o homem reconcilia-se com a vontade de Deus, o que que dizer que remeteu-se a Ele de uma maneira ilimitada, total, com júbilo, e diz: “Faz de mim, Senhor, o que queres!” No fim das contas, ele reconciliou-se igualmente com todas as circunstâncias de sua própria vida: tudo é dom de Deus, e o que é bom e o que é redutível. Deus nos chamou para sermos Seus embaixadores sobre a terra e Ele nos envia lá onde estão as trevas para sermos luz; lá onde está o desespero para ser esperança, lá onde o júbilo está morto para ser júbilo. E o nosso lugar não é simplesmente lá onde tudo está calmo, na Igreja ou durante a Liturgia, quando estamos protegidos pela nossa presença mútua, mas lá onde permanecemos sós, como presença do Cristo nas trevas do mundo desfigurado.

Se tomarmos agora o latim, humilitas vem de húmus, significando a terra fértil. Refleti! – Teófano o Recluso escreveu neste mesmo sentido – Refleti no que representa a terra: ela está lá, silenciosa, descoberta, sem defesa, vulnerável, diante da face do céu; ela recebe do céu o calor tórrido e raios do sol, chuva e orvalho, mas ela recebe também o que chamamos de adubo, que quer dizer estrume, restos, enfim: tudo o que nela despejamos. E o que se passa? Ela traz frutos, e quanto mais ela suporta tudo, o que sobre o plano psicológico chamamos de humilhação e ultraje, mais ela traz frutos.

E então: a humildade é abri-se a Deus de uma forma perfeita, de maneira a não demonstrar resistência alguma nem a Ele, nem à ação do Espírito Santo, nem à imagem de Cristo em toda sua realidade, nem ao Seu ensinamento, e de se encontrar vulnerável à graça assim como nos acontece de nos encontrarmos vulneráveis à mão do homem, à uma palavra afiada, à uma ação cruel, a um escárnio; e é dar-se de maneira a que, de nosso bom grado, Deus tenha o direito de fazer de nós tudo o que bem Lhe parece: tudo aceitar, abrir-se, e então, tão simplesmente, deixar-se submeter pelo Espírito Santo.

Parece-me que se o Pai Espiritual esforça-se em adquirir a humildade nesta concepção, se ele vê no homem a verdadeira beleza e se ele conhece o seu lugar (e este lugar é tão maravilhoso, tão santo – é o lugar do amigo do esposo, e a noiva não é a sua noiva, todavia, ele está lá para proteger seu encontro com o esposo), então ele pode verdadeiramente ser o companheiro de rota de seu filho espiritual, seguindo-o passo a passo, protegendo-o, sustentando-o, sem jamais inavdir o domínio do Espírito Santo; e, neste caso, a paternidade espiritual torna-se uma parte desta espiritualidade, e esta progressão na santidade a qual cada um dentre nós é chamado, e que todo Pai Espiritual deve ajudar seus filhos espirituais a atingir.

Mas onde procurar Pais Espirituais? O mal é que não devemos procurar os Startsynem mesmo os Pais Espirituais, pois poderíamos fazer a volta do mundo sem encontrar; todavia, a experiência mostra que por vezes Deus nos envia a boa pessoa no bom momento, mesmo se não é que por um curto e breve prazo. E esta pessoa torna-se de repente para nós o que eram os Startsy. Sabem, eu geralmente penso que meu protetor celeste não passa da jumenta de Balaão, que se põe a falar e diz ao Profeta o que ele próprio não podia ver. Pois acontece geralmente que alguém venha me ver, e eu não sei o que lhe dizer nem responder, quando de repente por azar, eu lhe digo qualquer coisa e isto se revelará justo. Penso que em uma tal situação, Deus te dá uma palavra. Mas não deves contar que a tua experiência, tua erudição te darão a possibilidade de sempre fazer isso: eis porque, nos convém muito geralmente guardar um silêncio recolhido, e dizer em seguida: “Sabes, não posso te responder logo em seguida...” Temos um magnífico exemplo na vida de Santo Ambrósio de Optina: muitas gentes vinham vê-lo para um conselho, e ele os fazia esperar dois, três dias. Certa vez, um vendedor vem ver-lhe e lhe diz: “Devo retornar, minha venda está fechada e não me dás resposta...” Ambrósio lhe responde: “Eu nada posso te dizer! Já pedi à Mãe de Deus e Ela Se cala...” Para mim, nós deveríamos responder da seguinte maneira: “Eu poderia te dizer algo que provém de meu próprio espírito, ou de um livro, ou ainda de um relato, todavia isso não seria real; por isso nada posso te dizer. Mas também vou orar, e se Deus esclarece a minha alma, eu to escreverei, eu to direi.” – E então tua palavra, quando falas, é acolhida de maneira totalmente diferente do que se possuis altruísmos para todas as circunstancias da vida. Pois todo mundo conhece as suas verdades, todas feitas pelo coração, mas o problema é o de saber discernir aquela que convém numa situação particular.

Sendo, agora, preciso: ao falar do gênio, do talento, não falava a respeito do clero, nem mesmo da categoria dos Pais Espirituais, mas especificamente e exclusivamente dos Startsy, do Startsestvo. E utilizei a palavra “talento” / “gênio” porque no meio da língua falada, ele exprime o que podemos chamar também de “portador da graça”. No mundo, é o gênio da música, da arte, das matemáticas, é algo que podemos atingir pelos nossos próprios esforços. Eis porque não falava do clero em geral e não tinha evidentemente intenção alguma. Em denigrir o Padre de paróquia, o mais jovem, simples, mais sincero que realiza o seu trabalho, confessando as gentes, partilhando com elas o que ele aprendeu dos Padres da Igreja, dos teólogos, de seu próprio Pai Espiritual, dos ferventes cristãos que o cercam. Isto é algo de precioso. Todavia, existe um ponto que me inquieta um pouco: é o fato de que certos Padres, mas eles são espiritualmente ignorantes e imaturos (isso se dirige tanto aos leigos, mas no momento eu viso os Padres, posto que são profissionais), mais eles pensam facilmente que ao revestirem a batina e porem a estola, vão falar em Nome de Deus...e eu fico horrorizado com o fato de que alguém possa pensar que porque pronuncia por três vezes: “Senhor, esclarece o meu espírito obscurecido pelas paixões diabólicas”, suas palavras, em seguida, serão tão simplesmente uma divina profecia!!!

Eu penso que lá opera o bom senso mais elementar: só podemos falar do que sabemos de uma fonte segura. Tomemos um exemplo sobre uma vasta escala: o Santo Apóstolo Paulo podia falar em uma certeza e uma segurança total da ressurreição de Cristo, pois ele O havia encontrado vivo e ressuscitado no caminho de Damasco; ele falava acerca de outros sujeitos sem uma experiência tão direta. Outras pessoas têm igualmente certa experiência, em uma menor escala talvez, mas que no entanto podem dizer: “Sim, eu sei de maneira segura” – tal como este ateu que, virando-se a Deus, escreveu em França um livro com o título “Deus existe, eu O encontrei”.

O Padre e o leigo podem igualmente falar baseando-se na experiência eclesial à qual eles participam, mesmo se não a possuem em sua totalidade, mas, tendo em comum com os outros certas primícias desta experiência, eles podem escutar a experiência de outras pessoas, experiência ainda não totalmente tornada deles, no entanto, quando isso é necessário, podem dizer: “É a verdade, pois é o que diz a Igreja, e eu aprendi mais no seio da Igreja do que por minha própria experiência...”

E, enfim, existem coisas que só podemos falar porque Deus nô-las revelou.

pelo Metropolita Anthony (Bloom) de Souroge
Conferência pronunciada em Moscou, em 1997

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A Oração Ortodoxa



"Aquele que é capaz de orar corretamente, mesmo se ele é o mais pobre de todas as pessoas, é essencialmente o mais rico. E aquele que não tem a oração propriamente dita, é o mais pobre de todos, mesmo se ele se senta em um trono real."

- São João Crisóstomo

A oração é a elevação da mente e do coração a Deus em louvor, em ação de graças, e em petição para os bens espirituais e materiais que precisamos. Nosso Senhor Jesus Cristo nos mandou entrar em nosso quarto interno e ali orar a Deus Pai em segredo. Este quarto interno significa o coração, o âmago do nosso ser. 

O apóstolo Paulo diz que devemos orar sempre em nosso espírito. Ele indica a oração para todos os cristãos sem exceção, e nos pede para orar sem cessar. Os cristãos ortodoxos se dedicam a oração comunitária e privada . A vida de oração individual é equilibrada com participação nos serviços litúrgicos da Igreja, onde reúne toda a comunidade para a oração e adoração.

Noções Básicas para a Oração Diária

A oração diária é essencial para uma vida cristã ortodoxa saudável. Ela não é uma opção. Por que oramos, como podemos orar, quando e onde vamos orar são questões que abordaremos abaixo.

Palm Sunday : icon corner | mlra: Porque Oramos?
  • Cristo nos pede para orar . Ele nos diz no Evangelho de Lucas, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem (Lucas 11:13). Oramos para que Deus possa nos ajudar a tornarmo-nos mais semelhante a Ele em nossas ações.
  • Para a renovação e o crescimento da nossa alma .
  • Para dar graças a Deus por tudo que ele fornece para nós.
  • Para buscar o perdão de nossos pecados, endo a humildade um pré-requisito para a oração.
Nós também podemos orar pedindo ajuda para outros, bem como para nós mesmos. Mas não devemos esquecer de rezar pedindo a ajuda de Deus em nosso próprio crescimento espiritual. Não é m ato egoísta, ma essencial para que possamos melhor amar e servir aos outros e cumprir os mandamentos de Deus. Podemos pedir também sua ajuda para nos apoiar nas várias práticas ascéticas que escolhemos nos dedicar.


Faça da sua vida uma oração contínua


Somos convidados a orar sem cessar. Aqui estão as referências bíblicas a esta ideia.

Orai sem cessar. (1Ts 5,17)
Rezar sempre com toda oração e súplica no Espírito. (Ef 6: 158) O dever de orar sempre, e nunca desfalecer. (Lucas 18: 1)

Deus quer a nossa vida para torná-la uma vida de oração constante, onde estamos em um relacionamento contínuo com Ele. Esta é a nossa principal tarefa, nos aproximarmos de Deus. Como vamos fazer isso? Santo Isaac o Sírio nos lembra que é impossível se aproximar de Deus por qualquer meio diferente do caminho da oração incessante.

Quando Oramos? Um horário regular para a oração

Prayer table at child's level. I need to do this.: Primeiro, você precisa estabelecer um horário regular para orar. Você deve ter, no mínimo, uma hora específica no período da manhã e à noite, reservado para a oração. Com nossas vidas ocupadas, isso significa que você terá que fazer algumas mudanças conscientes para dar tempo para a oração. Escolha um momento que você sabe que poderá manter, não importa qual. É importante ter disciplina rigorosa nisto. O período de tempo é algo que só você pode determinar, em consulta com o seu pai espiritual. Seu tempo de oração não deve ser inferior a dez minutos de manhã e novamente à noite. O seu tempo em oração vai crescer de acordo como seu relacionamento com Deus cresce. Inicialmente, você vai achar que é uma luta para manter o que parece ser uma disciplina simples, como existem forças negativas que vão tentar desviá-lo de uma prática de oração regular. Mas, chegará um momento em que você não esperará a hora determinada para orar. Será uma verdadeira luta para manter o horário rigoroso de início. Como diz o ditado popular, "Apenas faça"! Pense em todas as outras coisas em sua vida que você faz rotineiramente, como o tempo a caminho do trabalho, da escola, ou os atos de higiene pessoais, como escovar os dentes. Certamente você também pode fazer da oração uma rotina fixa.

Onde Oramos? Um lugar calmo e privado para a oração


Orthodox Icon Corners... You know you are in a home of an Orthodox for sure.: Em seguida, você precisa encontrar um lugar privado e calmo onde você não será perturbado durante sua oração diária. Pode ser um canto no quarto (uma divisória de quarto pode ajudar a fazer um lugar especial), um espaço em um guarda-roupa, ou, se você tiver sorte de ter um quarto extra, uma sala especial usada apenas para a oração. Precisa ser um lugar onde você possa ficar sozinho sem ser perturbado. Depois de escolher o lugar, você deve organizar um pequeno canto dos ícones. Onde colocará um ícone de Cristo, da Theotokos, e de seu santo onomástico (patrono, padroeiro). Ponha uma lâmpada a óleo ou vela para iluminar os ícones enquanto você ora. Também um incensário, uma cruz, um livro de orações e a Bíblia.

Como devemos orar?
"A oração não precisa de professor. Ela exige diligência, esforço e ardor pessoal, e então Deus será o seu professor." St. Meletius o Confessor

Santo Isaac, o sírio diz que devemos:

  • Orar com atenção - para que possamos ter um verdadeiro encontro com Deus
  • Orar com humildade - porque esse tipo de oração vai direto para os ouvidos de Deus
  • Orar com carinho e lágrimas - de alegria e ação de graças, mas também com verdadeiro arrependimento e pureza.
  • Orar com paciência e ardor - "renunciar a si mesmo" é perseverar corajoamente na oração.
  • Orar das profundezas do coração - mesmo se orarmos usando 'as palavras de outro' eles devem ser pronunciado como se fossem nossos próprios. Santo Isaac diz que isso é verdade especialmente para os Salmos.
  • Orar com fé e confiança absoluta em Deus - porque Ele conhece a nossa vida.
Preparando-se para Orar

Com um horário regular e um lugar especial, você está pronto para começar. Você começa a orar, concentrando sua consciência em seu coração e reunindo forçosamente todas as potências existentes, da alma e do corpo. Aproveite um tempo no início do seu momento de oração para acalmar seu corpo e concentrar suas energias em seu coração. Cristo diz: "entra no teu aposento e ... fechando a tua porta" (Mt 6: 6). Remova todas as atividades que poderem perturbar a sua descida interior. Ponha de lado, com o melhor de sua capacidade, todos os seus problemas do dia e as suas preocupações para o dia seguinte. Este não é o momento para pensar ou se preocupar. Quando você está se preparando para orar, em pé, sentado ou andando a poucos minutos, acalme sua mente para se concentrar em Deus.

Reflita sobre quem você estará se dirigindo. Lembre-se, é com o próprio Deus que você está prestes a falar. Tente trazer um sentimento de humildade e temor reverente. Faça algumas prostrações antes de começar.

NOTA: Devemos orar de frente para o leste, isto é, o oriente.

Siga a regra de oração e use orações escritas no início

Você deve ter uma regra específica tanto pra manhã quanto para a noite. Não tente improvisar. Você está desenvolvendo uma disciplina que está além do que você vai achar que deve fazer. Este não é um exercício de relaxamento, mas um caminho para estar em comunhão com o seu Deus. Você precisa ter um conjunto de regras específicas para seguir todas as vezes sem desculpas para encurtá-las. Coloque em sua regra, o ato de ficar em pé, prostrações, de joelhos, fazendo o sinal da cruz, leituras, e cantar às vezes. Use livros de orações e preces escritas. Os livros de orações ortodoxas estão cheios de orações que foram bem testadas e utilizadas por centenas de anos. A oração não tem que ser uma atividade criativa. Você deve ser sincero. Mantenha a sua atenção em seu coração e se concentre nas palavras da oração. Depois de estabelecer uma regra, a mantenha sempre. Certifique-se de trabalhar nisto com o seu Pai espiritual.

Concentre-se em cada palavra - Não apresse sua oração

Na medida em que você começar a rezar adentre em cada palavra da oração. Traga o significado das palavras para o mais profundo do seu coração. Não acelere as orações como se tivesse pressa para terminá-las logo. Deixe-as cair lentamente nas profundezas do seu coração com humildade e temor de Deus. É como dirigir um carro. Quando você está indo a 150 km/h pela estrada você pode se sentir poderoso e no controle. Mas, em altas velocidades coisas podem dar errado rápido. Ao dirigir a uma velocidade de 40 km/h, o carro é dominado perfeitamente e se alguém fizer uma manobra perigosa você pode desviar facilmente. Bem, a mente funciona da mesma maneira. Nós queremos treiná-la a abrandar assim nós podemos tomar consciência da presença de Deus dentro de nós. Assim, na oração, devemos dizer as palavras lentamente, para que possamos compreender o sentido delas e permitir-lhes penetrar a nossa consciência e trazer ao nosso coração sentimentos de amor e reverência para com o nosso Deus. Deixe as palavras caírem uma por uma em seu coração, como seixos caindo em uma lagoa. Você acabará encontrando o ritmo certo para si mesmo. Cuidado com a tendência de apressar-se para terminá-las rapidamente. Quando essa tendência está presente, você tornou sua oração em uma obrigação e já não é uma oração verdadeira. Não se preocupe se você se pegar fazendo isso. É normal no início. Basta parar e desacelerar e prosseguir pedindo perdão e ajuda de Deus. Além disso, deve estudar as orações antes de usá-las para você saber o significado de cada palavra. Eventualmente, você vai querer memorizá-las.

Concentre sua Atenção na Oração

Depois de começar a recitar suas orações, você vai achar que sua mente vai querer vagar. Enquanto você está recitando as palavras da oração, sua mente pode saltar para algo completamente diferente. Não fique preocupado com isso, isso é natural devido às forças que não querem que oremos a Deus. Esforça-te para aprender a concentrar tua atenção. Compreenda que, quando isso acontece, você já não está orando. Quando sua mente vagueia, seja gentil consigo mesmo e recite de novo o que você disse enquanto sua mente estava em outro lugar. Faça um esforço para voltar a concentrar-se nas palavras da oração. Às vezes, ajuda dizê-las em voz alta por um tempo. A mente é muito hábil em fazer mais de uma coisa de cada vez. Você precisa trazer-se a um único foco: em Deus. Quando você está falando com seu melhor amigo, você não pensa em outras coisas. Quando você vai até seu patrão para uma discussão, você se concentra. Deus merece mais atenção do que qualquer um, então você deve aprender a se concentrar, focar nas palavras da oração. Estas divagações da mente nos mostra o impacto da nossa vida agitada, a qual precisamos encontrar maneiras de tornar mais silenciosa para que possamos estar sempre conscientes de Deus, não importa o que estejamos fazendo. A oração não é momento para ser distraído por essas atividades mundanas, porque isso só vai distraí-lo ainda mais da oração. Esforça-te para concentrar tua atenção cada vez mais. A cada dia você vai ganhar mais atenção durante a sua oração. Aprenda a erguer sua mente para que esteja atenta às coisas celestiais.

Não se apresse em fazer outras atividades quando terminar a Oração

Quando terminar suas orações, repouse por alguns momentos. Considere o que tua vida de oração te compromete. Tente manter em seu coração o que te foi dado. Valorize-o por alguns momentos.

Ore a cada manhã e à noite, no mínimo

Lembre-se de fazer da sua vida de oração baseada em uma regra firme e não algo que é feito ocasionalmente, ou esporadicamente. Deve ser feito todos os dias pela manhã e à noite, no mínimo. Você precisa ter orações específicas que fazem parte de sua regra de oração. Você precisa se ​​comprometer a cumprir a regra a cada dia. Pense em determinadas tarefas de higiene pessoal, como escovar os dentes que você faz a cada dia por força do hábito. Você não se esquece de fazê-las todos os dias. Sua regra de oração precisa se tornar um hábito tão forte como estes. A oração deve se tornar um hábito diário o qual você nunca esquece. A oração é essencial para a saúde da nossa alma, assim como as atividades de higiene que fazemos para a saúde do nosso corpo.

FONTE: Orthodox Prayer

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domingo, maio 29, 2016

Missão Ortodoxa de São Serafim de Sarov em Fortaleza-CE



Aos 29 de maio de 2016 realizou-se em Fortaleza, capital do Estado do Ceará a primeira celebração da Santa Liturgia - Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia Eparquia do Brasil - na casa do fiel Tiago. Com a ajuda de dois outros fiéis da igreja, Tiago e Lucas, como também de muitos amigos que encontram consolo na ortodoxia.

O oratório onde foi realizada a liturgia é em honra a São Serafim de Saraov, padroeiro dessa pequena comunidade que se iniciou em 2011, ano em que o fiel Tiago/Diego foi recebido na ortodoxia - Patriarcado Ecumênico - volta ao Brasil com a luz da verdadeira fé e apresenta aos amigos Tiago e Lucas. Desde então os três organizam encontros quinzenais para realização dos ofícios, para conversarem sobre a ortodoxia e também sonhar, sonhar com a conversão de muitos outros.

Com muita fé a Santa Liturgia foi celebrada pelo Arquimandrita Jerônimo do Mosteiro de São Nicolau, os fiéis Tiago (Diego), Tiago e Lucas, e também com dezenove outras pessoas. Por este momento de graça, a comunidade teve a oportunidade de apresentar a ortodoxia, aos amigos e familiares, de uma maneira mais forte através da prática litúrgica. Por sua vez, aqueles que tiveram o seu primeiro contato com a fé ortodoxa puderam então conversar em um momento após a celebração quando foi realizado o ágape.

Texto e Fotos: Fiel Tiago (Diego) Ribeiro


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segunda-feira, maio 09, 2016

Milagre do Fogo Sagrado 2016


No sábado que antecede a Páscoa, os fiéis (Igreja Católica Ortodoxa) se reúnem aglomerados na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Muitos itinerários de peregrinação à Terra Santa por ocasião da Páscoa, anunciam que, nesse dia, «o fogo desce do céu e acende as lamparinas da Igreja.» «O milagre do Fogo Sagrado» acontece em todos os anos, na mesma hora e do mesmo modo e é muito conhecido pelos cristãos da comunidade ortodoxa. Não se conhece nenhum outro milagre que ocorra por tempo tão prolongado.

Os primeiros documentos que se referem a este milagre remontam ao século VIII d.C.

São conhecidos diversos testemunhos do milagre através dos séculos como o descrito pelo abade russo Daniel em seu itinerário de 1167: "O Milagre da Santa Luz e as cerimônias que o cercam". Descreve a cerimônia com muitos detalhes. Relata o Patriarca entrando na Capela do Santo Sepulcro com duas velas e ajoelhando-se diante da pedra sobre a qual Cristo foi recostado depois da sua morte e ali recita algumas orações. Em seguida o milagre acontece:

A partir do século IV d.C., sem interrupção, até os nossos dias, numerosos documentos mencionam o admirável prodígio.Uma Luz sai do coração da pedra, uma luz azul, indefinível, que depois de certo tempo acende as lamparinas de azeite fechadas e as duas velas do Patriarca. Esta luz é «O Fogo Sagrado» e se difunde por todas as pessoas que estão presentes na Igreja.

O milagre acontece a cada ano no Sábado da Páscoa ortodoxa e é celebrado conjuntamente por todas as comunidades ortodoxas.

Desde que aconteceu o cisma entre ocidente e oriente no ano de 1054 os «Dois pulmões do corpo de Cristo,» como chama o Papa João Paulo II, os Ortodoxos e Católicos vivem existências separadas, mas nos dois primeiros séculos posteriores ao cisma não foi assim no Santo Sepulcro.

O Metropolita Timóteo, do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém, representante do Patriarca na celebração ecumênica de abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro em Roma, disse que o poder ecumênico e unificador do Fogo Sagrado é excepcional.O poder da cerimônia era tão grande que apesar do cisma, católicos e ortodoxos reuniam-se para celebrá-la. Após o ano de 1246 quando os católicos deixaram Jerusalém com a frustrada Cruzada, o Milagre do Fogo Sagrado se transformou numa cerimônia privativa dos ortodoxos que permaneceram em Jerusalém mesmo depois da ocupação palestina pelos turcos.

A Liturgia

O referido acontecimento é uma das liturgias mais antigas da tradição ortodoxa, sendo considerado o milagre mais constante no mundo (desde 1106, embora existam referências mais antigas). Em evento televisionado para diversos países — como Geórgia, Grécia, Ucrânia, Romênia, Bielo-Rússia, Bulgária, Chipre, Líbano, Egito etc. —, o patriarca grego ortodoxo inicia uma procissão solene ao redor do Santo Sepulcro, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi sepultado.

Juntamente com outros membros do clero, o homem santo da Igreja Católica Ortodoxa marcha por três vezes ao redor do local entoando hinos. Em seguida, ele é despido de suas roupas religiosas e examinado por autoridades israelenses, entrando no sepulcro. É ali que ele recitará orações tremendamente antigas, até que o local seja preenchido pelo que normalmente é descrito como uma “misteriosa luz azul surgida do nada”.

Reprodução/VarvaraPostados na parte externa do Santo Sepulcro, fiéis celebram e se acotovelam com velas nas mãos, esperando pelo momento em que o patriarca deixará a tumba, trazendo consigo uma vela acesa pelo próprio fogo da “sarça ardente do Monte Sinai” — o qual, depois de serpentear pelas paredes do Sepulcro, acaba por estacionar sobre 33 velas amarradas juntas pelo clérigo —, simbolizando a idade de Cristo quando foi crucificado.

Eis o evento, conforme descrito por Diodoro de Jerusalém, patriarca da Igreja Ortodoxa de Jerusalém entre 1981 e 2000:

“Eu passei pela escuridão até a câmara interna e caí de joelhos. Lá, eu recitei algumas orações que nos foram passadas através dos séculos e, tendo-as dito, esperei. Algumas vezes, por alguns minutos, mas normalmente o milagre acontece imediatamente após eu ter recitado as orações. Do centro da pedra na qual Jesus esteve deitado, uma luz indescritível aparece. Ela geralmente tem um tom azulado, mas a cor pode mudar e tomar diversas outros padrões.
“Ela não pode ser descrita em termos humanos. A luz sai da pedra como uma bruma que sobe de um lago, quase como se a pedra estivesse coberta por uma nuvem úmida, mas de luz. Esta luz se comporta de maneira diferente a cada ano. Algumas vezes, ela cobre apenas a pedra, enquanto em outras ela ilumina o sepulcro todo, de forma que as pessoas que estão do lado de fora do túmulo e olham para dentro deles o virão cheio de luz."


No que se refere à propriedade de ser “fria”, ele relata:

“A luz não queima. Eu jamais queimei a minha barba nos dezesseis anos que eu fui patriarca em Jerusalém e recebi o Fogo Sagrado. A luz é de uma consistência diferente do fogo normal que queima numa lâmpada de óleo.
“A certo ponto, a luz sobe e forma uma coluna na qual o fogo é de uma natureza diferente, de tal forma que eu sou capaz de acender as minhas velas nele. Quando eu termino de receber a chama desta forma em minhas velas, eu saio e entrego o fogo primeiro para o patriarca armênio e depois para o copta. Depois, para todos os presentes na igreja.”

Reprodução/VarvaraUma vez que o patriarca tenha deixado o sepulcro com a chama sagrada, esta será então distribuída para todos os locais. Além disso, a chama é também “depositada” em uma lamparina, a qual será conduzida por voo especialmente fretado até a Catedral de Cristo Salvador de Moscou, na Rússia. Dali a chama é ainda remetida a diversas dioceses ortodoxas espalhadas pelo mundo.

Dispositivos antifraude

A fim de garantir a legitimidade da experiência sobrenatural do fogo sagrado do Santo Sepulcro, há diversos protocolos que precisam ser cumpridos previamente. Durante a Sexta-Feira Santa, após o Ofício das Exéquias de Cristo, autoridades israelenses e representantes de outras igrejas se dirigem ao sepulcro, a fim de conduzir uma investigação minuciosa do local.

Após apagar todas as lamparinas da igreja e garantir que não haja fontes de foto possíveis no local, os membros da comitiva terminam por lacrar o Santo Sepulcro, imprimindo cada um o seu timbre sobre a cera. Esta será rompida apenas no momento imediatamente anterior à entrada do patriarca ortodoxo no recinto.

O Fogo Sagrado e os Heterodoxos

Em 1107, o abade russo, Daniel, o qual estava presente na cerimônia do Fogo Sagrado, confirmou que, quando a Luz sagrada fez a sua majestosa aparição, ela milagrosamente acendeu as velas dos ortodoxos gregos e russos,os quais estavam na lapide do todo-santo sepulcro, mas não as dos latinos.

Os papistas, incapazes de suportar a vergonha de ver Deus afastando-se deles, ao invés de “virem a si mesmos” e arrependerem-se, de modo a “não andarem nas trevas, mas terem a luz da vida”, tornaram-se tão endurecidos e ignorantes que, através de uma Bula do Papa Gregório IX, em 1238, eles negaram a validade do milagre do Fogo Sagrado e proibiram estritamente seu rebanho de participar ou assistir a cerimônia.

Outro milagre envolvendo o repúdio de hereges ocorreu em 1579, quando os Armênios(Monofisistas) subornaram os Otomanos para garantir que seriam eles quem iriam trazer a Luz sagrada. Os ortodoxos, banidos, se reuniram do lado de fora, no pátio da igreja da ressurreição, antes do santo portal. Mesmo que os armênios estavam em procissão dentro da igreja, a fim de alcançar o seu desejo, os ortodoxos, com o então patriarca Sophronius IV, estavam chorando e orando por consolação do alto. Naquele momento um alto ruído foi ouvido, houve uma violenta rajada de vento, e a coluna do meio do umbral da porta esquerda do Santo Portal foi dividida, e dela a Santa luz foi emitida para diante dos Ortodoxos.




Momento do Anúncio da Ressurreição 2016



Cerimônia Completa 2016



FONTES: Mega Curioso , A Energeia , Ecclesia
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